Em 2022, com peito de frango acima de R$ 30/kg e leite a mais de R$15/litro subprodutos ocuparam as gôndolas. Foto feita em Vila Velha virou símbolo da crise inflacionária.
Quem lembra? Em junho de 2022, uma foto tirada em um supermercado de Vila Velha ganhou as redes sociais e se transformou em retrato de um dos períodos mais duros para o bolso do brasileiro. A imagem mostrava bandejas de pele de frango anunciadas por R$ 2,99 o quilo, um item que normalmente é descartado ou doado.
Antes, em fevereiro de 2022, reportagem registrou que “o ano de 2021 teve o menor consumo de carne por pessoa nos últimos 16 anos.” e que a crise continuava:
Sem carne, famílias do ES comem partes de boi e frango antes descartadas”
O contexto ajudava a explicar a revolta. Naquele ano, a inflação dos alimentos apertava o orçamento das famílias e o quilo do peito de frango chegou a passar dos R$ 30. Para muitos internautas, a “oferta” soou como sinal de que parte da população estava sendo empurrada para o consumo de restos.
A venda ocorreu em um supermercado do bairro Barramares, segundo reportagem de A Gazeta publicada na época. Nas redes, os comentários misturavam ironia e indignação, com usuários questionando a que ponto o país havia chegado.
O caso não foi isolado. Meses antes, uma placa anunciando a venda de ossos em um açougue de Santa Catarina também gerou críticas, e em Mato Grosso houve fila para receber doações de produto semelhante. Em outros estados, frigoríficos e supermercados doavam à população que faziam fila, ossos de boi.
A bandeja no supermercado de Vila Velha exibia a etiqueta de um frigorífico capixaba. À Agência FolhaPress, a empresa negou comercializar pele de frango e afirmou que sua etiqueta foi usada de forma equivocada pelo supermercado ao manipular o produto. Procurado por A Gazeta, um funcionário do estabelecimento disse apenas que os produtos haviam sido retirados das gôndolas.
Picanha virou artigo de luxo
Se o frango estava caro, a carne bovina parecia inalcançável. A picanha, símbolo do churrasco de fim de semana, chegou a custar R$ 93 o quilo nos supermercados, e para muitas famílias saiu de vez do cardápio. Atualmente, em outubro de 2026, o mesmo corte foi encontrado por R$ 59 o quilo em Vila Velha, uma queda de mais de um terço.
Do frango ao leite
A pele de frango não foi o único sintoma da crise. No mesmo período, com o preço do leite em disparada, as prateleiras passaram a exibir as chamadas misturas lácteas, produtos com embalagem parecida com a do leite, mas com composição diferente e valor nutricional inferior. A semelhança confundia consumidores, e órgãos de defesa do consumidor chegaram a orientar a população a ler os rótulos com atenção antes da compra.
Soro e Mistura Lactea no lugar de Leite, Creme de Leite Culinário, Leite Condensado feito de Mistura Láctea entre outros subprodutos eram flagrantes entre 2021 e 2023.
Quatro anos depois
O cenário hoje é outro. Atualmente, o peito de frango pode ser encontrado por R$ 16,90 o quilo em supermercados da Grande Vitória, pouco mais da metade do preço que assustava os consumidores em 2022. A lembrança, no entanto, segue viva para quem precisou fazer malabarismo no carrinho de compras para garantir a comida na mesa.
Com informações de A Gazeta.
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- Texto alternativo da imagem: Bandejas de pele de frango anunciadas a R$ 2,99 o quilo em supermercado de Vila Velha, em 2022
Mantive o nome do frigorífico (Karojy), já que não é mercado; se preferir tirar também, é só trocar por “um frigorífico capixaba”.



