Em 2021 e 2022, Imatinibe deixou de ser entregue pelo Ministério da Saúde; médico de hospital filantrópico em VV revezou doses entre pacientes, denunciou o caso e foi demitido

 

Pacientes com leucemia no Espírito Santo ficaram meses sem o Imatinibe em 2021 e 2022 e correram risco de morte. O medicamento, de uso contínuo, deixou de ser entregue pelo Ministério da Saúde durante o governo Bolsonaro.

Em Vila Velha, pacientes que se tratam em hospital filantrópico foram diretamente afetados. Sem estoque para todos, o médico responsável pelo setor precisou fazer um revezamento da medicação entre os pacientes para evitar o agravamento dos quadros.

A escassez chegou ao ponto de obrigá-lo a escolher quem receberia o remédio e quem ficaria sem ele.

O médico tornou a situação pública.

Depois da denúncia, o médico diz que teria sido demitido pelo hospital filantrópico, que atende ao SUS e mantido por instituição evangélica.

“Fiquei meses sem, com muito medo. Tentamos até comprar mas não há venda direta. A compra era só do governo e o governo federal não comprava” , lembra paciente do hospital filantrópico e moradora de Vila Velha.

 

“Meu médico precisou racionar, dava um pouco para uns, um pouco para outros, sem deixar ninguém muito tempo sem. Mesmo assim fiquei meses sem, com muito medo”, conta.

A família tentou comprar o medicamento por conta própria. “Fomos tentar comprar e nem se vende diretamente. O custo na época era acima de R$ 7 mil por 30 comprimidos, que dão para um mês apenas.  Mas mesmo assim só para o governo federal”, relata.

 

Sem o SUS, não há tratamento

O caso expõe a importância do Sistema Único de Saúde. O Imatinibe não é encontrado nas redes de farmácias privadas, o que torna a distribuição pelo SUS primordial para quem depende dele.

O remédio faz parte do grupo de medicamentos de alto custo fornecidos pelo sistema público, inclusive a pacientes atendidos na rede privada. Por isso, o desmonte do SUS afeta a todos, e não apenas quem usa exclusivamente a rede pública.

Falta atingiu todo o país

O desabastecimento não se limitou ao Espírito Santo. Entidades de hematologia e de transplante de medula divulgaram nota conjunta informando que o mesilato de imatinibe, indicado para a leucemia mieloide crônica (LMC), estava em falta em todo o território nacional.

A responsabilidade pela compra é federal: a distribuição é centralizada no Ministério da Saúde, que repassa o remédio às secretarias estaduais, e estas aos hospitais. Levantamento da Abrale apresentado à Câmara dos Deputados apontou falta do Imatinibe em 18 estados, em um período que foi de julho de 2021 a março de 2022.

O Espírito Santo esteve entre os estados que confirmaram dificuldades de abastecimento de medicamentos de responsabilidade do ministério.

A interrupção do tratamento é grave. Em reportagem da época, um onco-hematologista do comitê médico da Abrale classificou como enorme o dano à saúde de quem teve o tratamento interrompido.

 

Foto: Valter Campanato/Agência Brasil

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Fontes:

Boas notícias! Imatinibe volta a ser distribuído em hospitais de todo o país

https://gauchazh.clicrbs.com.br/saude/noticia/2022/02/pacientes-com-leucemia-sofrem-com-falta-de-medicamento-no-rio-grande-do-sul-ckzy4ug29002e017cd4kmq39l.html

– [Abrale – apresentação à Comissão Especial de Combate ao Câncer, Câmara dos Deputados](https://www2.camara.leg.br/atividade-legislativa/comissoes/comissoes-temporarias/especiais/56a-legislatura/comissao-especial-combate-ao-cancer-no-brasil/apresentacoes-em-eventos/CatherineMouradaFonsecaPintomdicasanitaristaeDiretoraExecutivadaABRALE.pdf)

– [Medicina S/A – Entidades alertam para falta de medicamento para leucemia](https://medicinasa.com.br/?p=62948)

– [Brasil de Fato – Em PE, pacientes com câncer sofrem com a falta de remédio](https://www.brasildefato.com.br/2022/01/31/em-pe-pacientes-com-cancer-sofrem-com-a-falta-de-remedio-fornecido-pelo-ministerio-da-saude/)

– [Banda B – Estados reclamam de atraso na entrega de remédios de alto custo](https://www.bandab.com.br/saude/estados-reclamam-de-atraso-na-entrega-de-remedios-de-alto-custo-pelo-ministerio-da-saude/amp/)