Antonio Dias Tavares Bastos nasceu em Campos dos Goytacazes/RJ, em 1900, mas sua biografia se coaduna com o Espírito Santo a partir de 1905, quando seu pai, José Tavares Bastos, 5º Juiz Federal do ES, vem com a família para cá, trazendo sua esposa Maria Luiza Dias Tavares Bastos e o irmão caçula, Aureliano. E é em solo capixaba que se dá uma expressiva parte da história desse poeta, advogado e tradutor, que tanta relevância teve em sua época. Tanto que Manuel Bandeira, grande amigo de Bastos, em crônica dedicada a este, fala, sem meias-palavras, do amigo capixaba.

O fato mais curioso da biografia de Antonio é, indubitavelmente, que ele escolheu o francês como língua de trabalho. Assim, todos os seus livros de poemas foram escritos diretamente na língua de Molière, grande paixão pela qual ele dedicou uma vida inteira. O autor também conseguiu um feito difícil até para os dias de hoje: publicou, em Paris, seu primeiro livro (e os seguintes), morando na capital capixaba, em 1924 e com resenha nos jornais franceses!

Tavares Bastos contribuiu com revistas literárias brasileiras nas primeiras décadas do século XX, principalmente após sua instalação no Rio de Janeiro, entre 1927 a 1937, com poemas autorais e traduções de outros poetas. Os caminhos de Bastos se cruzam com o do Embaixador Souza Dantas, que o nomeia secretário, quando o poeta se instala definitivamente em Paris.

Na França, ele se casa com a belga Georgette Roba, futura tradutora de Jorge Amado; o casal passa a lua de mel em um campo de concentração para diplomatas, após ser preso, em Vichy, pelas forças do Reich; e, por fim, ele vai ser lotado na Unesco, onde trabalha com a promoção da literatura brasileira.

Tavares Bastos organiza a Anthologie de la poésie brésilienne contemporaine em 1954, reunindo poemas de autores como Manuel Bandeira, Carlos Drummond de Andrade, Cecília Meireles e a única autora nascida em solo capixaba, Haydée Nicolussi. A obra ganha prêmio da Académie française, o que mostra a importância do trabalho de Bastos, seguindo firme, seja na tradução, seja na publicação de textos autorais ou na promoção de autores brasileiros, até sua morte, na capital francesa, em 1960.

Anaximandro Amorim (Vila Velha/ES) é escritor, tradutor e professor. Doutorando em Letras pela Ufes. Membro da Academia de Letras de Vila Velha e de outras instituições culturais capixabas.


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