Cidade tem dez agências do banco estadual, que hoje pratica a menor taxas de financiamento imobiliário do país; setor teme impacto em caso de privatização. 

 

Quatro dos cinco candidatos ao Governo do Espírito Santo assinaram, neste sábado (22), o Termo de Compromisso em Defesa do Banestes Público e Estadual, durante congresso promovido pelo Sindicato dos Bancários do Espírito Santo (Sindibancários/ES), realizado no Hotel Golden Tulip, na Enseada do Suá, em Vitória. O documento reúne compromissos para manter o controle público e estadual do banco, fortalecer o Sistema Financeiro Banestes e preservar o patrimônio dos capixabas.

Assinaram o termo o governador e candidato à reeleição Ricardo Ferraço (MDB), além de Breno Barcelos, representado por seu assessor (Missão), Helder Salomão (PT) e Rafael Demuner (UP). O único que não compareceu nem assinou foi o ex-prefeito de Vitória, Lorenzo Pazolini (Republicanos).

A ausência de assinatura de Pazolini chama atenção diante do histórico de sua gestão à frente da Prefeitura de Vitória. Em 2021, a folha de pagamento dos servidores municipais foi retirada do Banestes por meio de licitação vencida pelo Bradesco, com proposta de R$ 39,1 milhões, passando a administrar o pagamento de cerca de 18,3 mil servidores. Em 2026, nova licitação para o mesmo serviço foi vencida pelo Santander, que ofertou R$ 46 milhões à Prefeitura. Apesar de não comparecer nem assinar o Termo, o candidato ainda não se manifestou oficialmente sobre o assunto. A reportagem procurou diretamente Pazolini e sua assessoria para saber qual é a posição do candidato quanto a uma possível privatização do Banestes. Até o fechamento desta matéria, não houve retorno. O espaço segue aberto para manifestação do candidato.

Vila Velha

Vila Velha é um dos municípios com maior presença do banco estadual na Grande Vitória. A cidade conta com, no mínimo, oito agências físicas próprias do Banestes, distribuídas em bairros como Terra Vermelha, Centro, Glória, Ibes, Itapoã, Cobilândia, Coqueiral de Itaparica e Praia da Costa — esta última com a agência premium Valores e uma unidade voltada a negócios —, além de pontos de atendimento remoto e correspondentes bancários espalhados pelo município.

Em caso de privatização, especialistas do setor bancário e sindical alertam que unidades consideradas menos rentáveis podem ser fechadas, como costuma ocorrer em processos de venda de bancos públicos em outros estados, o que reduziria o atendimento presencial à população, sobretudo nos bairros mais afastados do Centro.

Mercado imobiliário 

O Banestes também é hoje protagonista no mercado imobiliário capixaba. Em março de 2026, o banco anunciou a menor taxa de financiamento imobiliário praticada no país, a partir de 11,15% ao ano mais Taxa Referencial (TR), mantendo ainda a exclusividade de financiar até 90% do valor do imóvel, com prazo de até 35 anos para pagamento — condição não replicada por nenhuma outra instituição financeira no Brasil. Para o setor da construção civil e para famílias capixabas que buscam a casa própria, uma eventual privatização do banco levanta preocupação sobre a manutenção dessas condições diferenciadas, hoje usadas como referência de comparação por outras instituições que atuam no Espírito Santo.

O que prevê o termo

Entre os principais compromissos assumidos pelos signatários estão:

– Manter o Sistema Financeiro Banestes e suas subsidiárias (Seguradora, Corretora, Asset e Loterias) públicos e estaduais;

– Enviar à Assembleia Legislativa, até o primeiro trimestre de 2027, projeto de lei para revogar a Lei 11.617/2022, que permite ao banco adquirir participações societárias e criar subsidiárias;

– Garantir que o Estado mantenha, no mínimo, os atuais 92,37% das ações com direito a voto do banco;

– Enviar Proposta de Emenda à Constituição (PEC) determinando que qualquer venda do Banestes dependa de consulta pública (plebiscito);

– Propor que a privatização do banco ou de suas subsidiárias exija aprovação de dois terços dos deputados estaduais;

– Manter os canais de negociação coletiva com o Sindicato dos Bancários/ES e assegurar que novas contratações no Banestes ocorram exclusivamente por concurso público, vedando a terceirização.

O Banestes é controlado pelo Governo do Espírito Santo e atua nos 78 municípios capixabas. No primeiro semestre de 2026, o banco registrou lucro líquido recorde de R$ 226 milhões, dos quais R$ 103 milhões foram destinados ao Estado.

Fotos Sérgio Cardoso.

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