Fechar as portas não garante respeito e dignidade. É preciso garantir os direitos dos consumidores e dos trabalhadores com folgas, escalas justas e redução de jornada, mas sem fechamentos. 

 

O Espírito Santo avança para um modelo curioso: proibir o funcionamento.

Depois de limitar o funcionamento de supermercados aos domingos, agora a entrega de gás de cozinha também fica proibida no mesmo dia, a partir de outubro. Seguindo essa lógica, o que viria a seguir? Motéis fechados no domingo e boates proibidas de funcionar após as 22h? 

E por que parar por aí? Na mesma lógica, teríamos que fechar quiosques nas praias, shoppings e todo o comércio. E precisamos lembrar ainda dos profissionais da mídia, inclusive os das redes sociais. Domingo é dia sagrado: só missas e cultos. E mesmo assim, com gravações e tudo via IA já programada, afinal padres e pastores também precisam repousar aos domingos, não é mesmo? Ah, e se morrer no final de semana, só vai pra cova na segunda. Coveiro também precisa curtir o domingo pleno

Afinal, se a ideia é que ninguém trabalhe no domingo e à noite, o lazer também entraria na lista. O consumidor que precisar de gás no domingo, de comprar um item no supermercado ou de buscar outro tipo de serviço noturno, que se programe.

É um modelo que não cria novos postos de trabalho, apenas concentra todo o movimento em menos dias. O botijão que deixa de ser entregue no domingo não é entregue em dobro na segunda. É uma venda a menos, um entregador a menos na rua e um cliente sem atendimento.

Nossa opinião

Defendemos o trabalho pleno e o direito ao descanso. Com direitos e remuneração justa. Mas defendemos também o funcionamento diário dos serviços, com as devidas escalas, pagamento de horas extras quando necessário e garantia do descanso semanal remunerado.

Defendemos ainda a escala 6×1, com descanso garantido. Mas não o fechamento do comércio e dos serviços. O caminho não é fechar a porta no domingo, é organizar o devido revezamento e as escalas.

É assim que funcionam inúmeras profissões que atuam inclusive em turnos ininterruptos – hospitais, segurança, transporte, restaurantes. O que importa é o respeito ao consumidor e ao trabalhador, não a proibição de um dia da semana.

Por respeito aos trabalhadores e aos consumidores. Essa equação é possível, falta mais diálogo e negociação.