A proposta é dar força coletiva a quem produz, abrir mercados e facilitar o acesso a crédito, assistência técnica e investimentos.
Por Douglas Dantas.
Unir forças para produzir mais, vender melhor e ter voz na hora de negociar. Essa é a aposta de mais de 60 produtores rurais e aquícolas de Vila Velha, que estão se mobilizando para criar a primeira cooperativa rural da cidade. A iniciativa quer transformar o potencial do campo canela-verde em renda, organização e novas oportunidades para quem vive da terra e da água.
VilaVelha é agro!
Pouca gente sabe, mas mais da metade do território de Vila Velha é rural. Segundo a prefeitura, 52% dos 210 km² do município ficam na zona rural, o que equivale a cerca de 109 km². Pelo Censo Agropecuário de 2017, do IBGE, os estabelecimentos agropecuários ocupam cerca de 6.750 hectares, e mais de 90% dessa área pertence a produtores não familiares. Ainda assim, a agricultura familiar responde pela maior parte das propriedades, cerca de 64% dos estabelecimentos rurais da cidade.

Tamanho e força
Segundo dados do Incaper, ainda de 2020, Vila Velha tem “mais de 200 propriedades rurais”. Desses, em torno de 60% são de agricultura familiar, o que reforça a importância da criação de uma cooperativa para poderem ter melhor poder de compra e venda no mercado.
Diversidade
A pecuária é o carro-chefe da produção rural de Vila Velha. Segundo o Censo Agropecuário de 2017, do IBGE, o município tinha cerca de 8,7 mil cabeças de gado de corte, além de produzir leite, suínos, ovos e frango. Na cidade fica uma fazenda com aproximadamente 8 mil cabeças de nelore, rebanho considerado um dos melhores da América Latina.
Nas lavouras, os destaques são cana-de-açúcar, aipim, milho, seringueira (látex), banana, coco, limão e café conilon, este em pequena escala, além de tomate, inhame, abóbora e uva.
Mar, rios e lagos
A piscicultura está em expansão, com criação de tilápia, tambaqui e camarão. Já a pesca artesanal ocupa os 36 quilômetros de litoral do município, divididos em nove comunidades pesqueiras que, juntas, formam a colônia de pescadores mais antiga do Brasil
Planejamento
Na última semana, equipes da Secretaria Municipal de Agricultura e Pesca (Semap) intensificaram as visitas às propriedades rurais. Nos encontros, os técnicos ouviram as demandas dos produtores e apresentaram o cooperativismo como ferramenta de organização e crescimento econômico.
O grupo envolvido no projeto reúne atividades diversas, como pesca, piscicultura e aquicultura. Entre as espécies criadas estão tilápia, tambaqui e camarão da Malásia, com o uso de diferentes sistemas de produção, entre eles os tanques elevados. Para o subsecretário de Agricultura e Pesca, Fábio Barcellos, essa variedade mostra a força produtiva de uma região muitas vezes lembrada apenas pelas praias.

“Vila Velha não é apenas uma cidade de belas praias; também é uma cidade que produz, trabalha e tem um enorme potencial rural”, afirma.
Juntos, os produtores ganham força
O cooperativismo é um modelo em que os próprios produtores se associam, compartilham estruturas e decidem juntos os rumos do negócio. Na prática, o pequeno produtor que antes negociava sozinho passa a ter escala, poder de barganha e mais acesso a compradores, crédito e políticas públicas.
É esse ganho coletivo que motiva a mobilização em Vila Velha. Segundo Fábio Barcellos, a cooperativa pode ampliar o acesso a mercados, melhorar as condições de comercialização, atrair investimentos e facilitar a chegada de assistência técnica e de programas de fomento.

“A cooperativa poderá representar um divisor de águas. Quando os produtores se organizam, ganham força, representatividade e novas oportunidades”, destaca o subsecretário.
Um dos pilares do projeto é a participação direta dos produtores em todas as etapas. A ideia é que a cooperativa nasça das necessidades de quem trabalha no campo, e não de cima para baixo.
“Essa construção acontece junto com os produtores, ouvindo suas necessidades e valorizando quem vive e trabalha no campo. Nosso compromisso é gerar renda, fortalecer a produção e abrir novas oportunidades”, diz Fábio Barcellos.
O subsecretário reforça que o projeto pertence a quem produz. “Esse projeto é de vocês e para vocês. Nosso papel é abrir caminhos, aproximar instituições e criar condições para que o produtor tenha mais oportunidades”, completa.
Próximos passos
Nesta semana, estão previstas novas reuniões com instituições e setores de fomento, entre eles a Organização das Cooperativas Brasileiras no Espírito Santo (OCB-ES), entidade que representa e orienta o cooperativismo no estado. A expectativa é que os encontros ajudem a definir o formato e os caminhos de estruturação da cooperativa.
“Queremos construir uma cooperativa sólida, com participação efetiva dos produtores e condições de crescer de maneira sustentável”, afirma Fábio Barcellos.
A proposta é criar uma organização capaz de representar os produtores, fortalecer a economia rural e ampliar a presença da produção de Vila Velha no mercado.
A mobilização é conduzida pela Prefeitura de Vila Velha (PMVV), por meio da Secretaria Municipal de Agricultura e Pesca (Semap).
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