O Espírito Santo aprendeu, ao longo dos últimos anos, que a transparência não é simplesmente publicar informações, mas sim construir uma relação de confiança com a sociedade capixaba, fortalecer a cultura da integridade nas instituições públicas e criar condições para que o Estado tome decisões estratégicas e responsáveis.
Agora, porém, surgiu um novo desafio: o que fazer com todos os dados que o Estado produz? Todos os dias, os governos geram milhões de informações sobre contratos, despesas, serviços, processos e políticas públicas. O Estado contemporâneo não pode se limitar a armazená-las, precisa transformá-las em conhecimento e em melhores decisões que beneficiem a sociedade como um todo.
Em 2026, a Secretaria de Estado de Controle e Transparência (Secont) tomou uma decisão: ampliar o uso de tecnologia para fortalecer o controle preventivo, a transparência e a integridade. Foi assim que surgiu o SIAC – Gestão de Riscos, que passou a apoiar órgãos estaduais na identificação e tratamento de riscos. Por meio de acordo com a Controladoria-Geral da União (CGU), o Estado também passou a utilizar o Sistema Macros, ampliando a capacidade de detectar padrões e possíveis irregularidades com inteligência de dados.
A Auditoria Contínua passou a monitorar processos e convênios estaduais, identificando riscos e inconsistências. Já o Conselho de Usuários de Serviços Públicos ES, com quase mil cidadãos cadastrados, ampliou o controle social ao transformar a percepção dos usuários em dados para aprimorar os serviços.
A inovação também chegou ao Portal da Transparência, que passa por modernização com a seleção de startups para desenvolver soluções mais inteligentes e acessíveis. A participação no Programa Nacional de Transparência Pública (PNTP) 2026 reforça o compromisso com a melhoria contínua.
Na área de integridade e responsabilização, a regulamentação do Termo de Compromisso já levou cinco empresas a solicitar sua celebração e uma a requerer o Acordo de Leniência. A implantação do e-PAD, em parceria com a CGU, moderniza os processos administrativos disciplinares.
Essas iniciativas convergem para um mesmo propósito: utilizar tecnologia, dados e inovação para tornar o Estado mais preventivo, eficiente, transparente e próximo do cidadão capixaba. Isso significa que a transparência vai além de publicar informações: trata-se de criar capacidade para que o poder público compreenda melhor a realidade, identifique riscos com antecedência e tome boas decisões.
O legado do Espírito Santo não está apenas nos rankings nacionais de transparência, integridade e governança, mas na capacidade de transformar transparência em cultura, controle em prevenção e tecnologia em instrumento de interesse público. O próximo passo é ainda mais ambicioso: construir um Estado capaz de aprender com seus próprios dados, antecipar riscos e fazer escolhas cada vez melhores, sempre com foco em melhorar a vida de cada cidadão capixaba.
Edmar Camata Mestre em Políticas Anticorrupção pela Universidad de Salamanca Secretário de Controle e Transparência do Estado do Espírito Santo
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