“Bilros da Barra: Saber, Ensino e Sustento” começa em 6 de outubro, com oficinas durante cinco meses, e quer levar a tradição às novas gerações.
A renda de bilro está cada vez mais firme como expressão da cultura popular de Vila Velha. Para fortalecer essa tradição, a comunidade da Barra do Jucu vai intensificar a formação de novas rendeiras, com foco no ensino da técnica a jovens e a pessoas que nunca tiveram contato com essa arte.
É esse o objetivo do projeto “Bilros da Barra: Saber, Ensino e Sustento”, que vai oferecer formação gratuita em renda de bilro para 40 mulheres de todo o Espírito Santo durante cinco meses. As oficinas começam no dia 6 de outubro e serão realizadas na sede do grupo Barra de Renda, na Rua Vasco Coutinho, na Barra do Jucu.
A proposta é qualificar ainda mais as rendeiras que já atuam e abrir espaço para novas aprendizes, sobretudo jovens interessadas em conhecer uma tradição que vem de suas avós e bisavós.
A iniciativa é da Associação das Rendeiras de Bilro do Estado do Espírito Santo – Grupo Barra de Renda, em parceria com o Museu Vivo da Barra do Jucu, e conta com apoio do Ministério do Empreendedorismo.
Segundo a coordenadora do Grupo Barra de Renda, Regina Ruschi, o projeto reúne oficinas, ações de mobilização e comunicação, registros fotográficos e qualificação empreendedora. “A proposta é beneficiar diretamente artesãs e aprendizes da comunidade e fortalecer a tradição da renda de bilro no Espírito Santo“, explica.
Coordenadora do projeto e instrutora de renda de bilro, Mariza Gervázio Vieira é bisneta de Dona Bernardina Vieira, uma das rendeiras mais tradicionais da Barra do Jucu. Para ela, a participação das jovens é essencial. “Serão as jovens rendeiras que, assim como eu, vão levar esse legado para o futuro e reconhecer essa herança cultural que nos foi deixada por nossos antepassados. Este é um passo importante no trabalho de resgate do ofício de rendeira”, afirmou.
Ricardo Vereza, do Museu Vivo da Barra do Jucu, destaca a parceria com o Grupo Barra de Renda. “É mais uma iniciativa de valorização da comunidade e de suas tradições, que reúne os diversos segmentos culturais. A renda de bilro feita aqui já é destaque em muitos espaços pela sua beleza e qualidade, e com esse projeto vai ganhar mais potência, fortalecer nossas rendeiras e contribuir para a autossustentação comunitária“, disse.
Onze anos de resgate
O trabalho de resgate do ofício de rendeira na Barra do Jucu completa onze anos. Começou em 2015, no Museu Vivo, e depois se consolidou no grupo Barra de Renda. Hoje, mais de 60 pessoas estão envolvidas no ensino, na produção da renda e na confecção dos instrumentos, como almofadas e bilros, além de produtos com aplicação de renda.
A iniciativa já levou a renda barrense a espaços como a Casa Cor, o projeto Brasil Original e a feira de artesanato ArteSanto. Agora, as peças também podem ser encontradas no Centro de Referência do Artesanato Capixaba, no Mercado da Capixaba, no Centro de Vitória.
Serviço
Projeto “Bilros da Barra: Saber, Ensino e Sustento”
Início: 6 de outubro de 2026
Duração: cinco meses
Vagas: 40, gratuitas
Local: Ateliê do Grupo Barra de Renda – Rua Vasco Coutinho, Barra do Jucu, Vila Velha (ES)
Mais informações: Facebook (Barra de Renda), Instagram (@barraderenda) e YouTube (Barra de Renda)
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