Peça baseada na autobiografia de Aguinaldo Silva encerrou temporada na Casa de Cultura Laura Alvim, em Ipanema, com casa cheia e elogios da crítica; capixaba integrou elenco de espetáculo que resgatou a boemia da Lapa nos anos de chumbo.
O ator capixaba Luan Coradini, natural de Vila Velha, vive um momento de ascensão na cena teatral carioca. Depois de temporadas anteriores que já vinham chamando atenção, ele integrou o elenco de “Lábios que Beijei”, montagem que estreou com casa cheia na Casa de Cultura Laura Alvim, em Ipanema, e se tornou um dos assuntos mais comentados da temporada teatral do Rio de Janeiro — tanto pelo público quanto pela crítica especializada. Encerrada no fim de agosto, a temporada é lembrada como um dos grandes sucessos do teatro carioca em 2026.

Baseada na obra autobiográfica do renomado novelista e romancista Aguinaldo Silva, a peça tem dramaturgia de Júlio Kadetti e direção de Marco Miranda. A trama acompanha um jovem escritor negro, conhecido como “a Escritora”, que chega à Lapa do Rio de Janeiro em 1969 — recém-saído do Nordeste — em busca de um espaço para sonhar com a literatura em meio à efervescência boêmia e à violenta repressão da ditadura militar.
Durante a temporada, o teatro recebeu um público que misturou celebridades e formadores de opinião da cena artística carioca, entre eles os atores Paulo Betti, Sérgio Malheiros, Narjara Turetta e Carlos Loffler, além da personalidade Isabelita dos Patins. Todos deixaram elogios calorosos à entrega do elenco, do qual Luan Coradini fez parte ao lado de nomes como Joe Ribeiro, Guilherme DelRio, Luiz Nunes, Marcelo Matos, Esther Elisabeth, Elaine Baracho, Fabiano Costa, Felipe Jesus e Nil Neves.
Para o ator de Vila Velha, a temporada marcou mais um passo importante em uma trajetória que vem se consolidando fora do Espírito Santo, ao dividir o palco de um espetáculo que uniu técnica apurada e sensibilidade histórica — realizado pelas produtoras Isabella Barros Produções e Guilherme DelRio Realizações Artísticas, com cenografia de José Dias, responsável por recriar com precisão o clima perigoso e ao mesmo tempo poético da Lapa de 1969.
Em depoimento, Luan Coradini definiu a experiência como uma honra por integrar um elenco dirigido por Marco Miranda, a quem descreveu como “um profissional íntegro, generoso e com um coração gigante”. Sob seu olhar, o ator viveu um processo de profunda entrega, escuta atenta e trocas valiosas, que resultou na construção de dois personagens — o garçom e o homem torturado — que, segundo ele, já marcaram de forma definitiva sua trajetória artística: “dois caminhos humanos e complexos, trilhados com rigor técnico, sensibilidade e muito amor pela cena”. Coradini destacou ainda que trabalhar ao lado de um diretor com vivência ao lado de grandes nomes do teatro e da teledramaturgia nacional transformou cada ensaio em “uma verdadeira aula aberta de teatro”, e agradeceu a Guilherme DelRio, Isabella Barros e ao dramaturgo Júlio Kadetti pelo texto que “encantou e emocionou centenas de pessoas” — encerrando com um aviso: o elenco estará de volta aos palcos em outubro.
Ao longo da temporada, a crítica destacou o espetáculo como um triunfo artístico de rara sensibilidade, elogiando a condução do diretor Marco Miranda por equilibrar a crueza da perseguição política com a leveza da libertação artística, sem jamais perder o ritmo cênico. Mais do que resgatar uma memória histórica, “Lábios que Beijei” foi descrita como uma reflexão sobre liberdade, memória e pertencimento — temas que, segundo o próprio diretor, permitem “mergulharmos no lado humano de todos os personagens, com todos os seus conflitos, medos e principalmente seus amores”.

Encerrada com casa cheia e resposta entusiasmada de público e crítica, a passagem de “Lábios que Beijei” pelos palcos cariocas reforça o momento de crescimento de Luan Coradini na cena teatral do Rio e projeta ainda mais o nome de Vila Velha no cenário artístico nacional.
Depois dessa primeira temporada de sucesso, Luan nos adiantou que já estão previstas duas novas temporadas ainda em 2026 em outros teatros cariocas e em 2027 a peça deve seguir viagem para outras cidades! Na torcida que nosso Espírito Santo esteja na rota!
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